Freguesia da Castanheira do Ribatejo

Castenheira do Ribatejo brasão

Castanheira do Ribatejo é uma freguesia portuguesa do concelho de Vila Franca de Xira, com 26,78 km² de área e 8 266 habitantes. Densidade: 308,6 hab/km².

Tendo sido vila e sede de um município extinto pelas reformas do Liberalismo oitocentista, foi de novo elevada a vila em 24 de Setembro de 1985 pela Lei n.º 49/85.

Actualmente Castanheira do Ribatejo é bastante marcada pela presença de diversos espaços fabris e armazéns de grande porte.

Promovida pelo primeiro governo de José Sócrates, está em construção, na Castanheira do Ribatejo, uma grande plataforma logística que visa servir o Distrito de Lisboa.

Historia

Nos séculos XII e XIII, a Castanheira fazia parte do Termo de Povos, que teve foral antigo, em 1195.

Em 1452, D. Afonso V, concedeu carta de Vila à aldeia e lugar de Castanheira e o foral novo, concedido por D. Manuel I, em 1510, foi atribuído conjuntamente às vilas de Povos e Castanheira.

Os séculos XV e XVI, foram marcados pelo poder dos Ataídes, senhores da Castanheira, tendo sido D. António de Ataíde, o 1º Conde da Castanheira, por mercê de D. João III.

O Concelho da Castanheira foi extinto em 1837, um ano após o desaparecimento do Concelho de Povos.

A Castanheira manteve até meados do nosso século, uma acentuada feição agrícola.  Ainda em 1940, predominava a cultura dos cereais e as frutas eram o principal produto do seu comércio. Ao mesmo tempo imperava uma forte ligação às lezírias e ao capitalismo agrário protagonizado pela família Palha Blanco.

As últimas décadas trouxeram modificações profundas, operadas pela instalação de grandes unidades e pelo crescimento urbanístico e demográfico.

A povoação de Castanheira do Ribatejo foi de novo elevada a vila em 1985, através da Lei nº 49/85 de 24 de Setembro.

Cronologia

1420 – Doação da Castanheira, Povos e Cheleiros por D. João I a Gonçalves Vasques de Melo.

1450 – Elevação a vila por carta de D. Afonso V.

1510 – Foral manuelino de Povos e Castanheira.

1520 – Fundação do Mosteiro de Nossa Senhora da Subserra.

1532 – D. João II dá o título de Conde da Castanheira a D. António de Ataíde.

1554 – Construção da atual Igreja Matriz.

1705 – O senhorio da Castanheira passa para a Casa do Infantado.

1798 – Segundo a “Lista de Povos do Reino”, apresenta 216 fogos.

1837 – Extinção do Concelho de Castanheira. É integrado no Concelho de Vila Franca de Xira e criação da freguesia de Castanheira do Ribatejo.

1855 – Inauguração do Caminho de Ferro.

1883 – A Misericórdia é incorporada na de Vila Franca de Xira.

1940 – Reestruturação administrativa, os lugares de Quintas e Vala do Carregado, passam para a freguesia de Castanheira do Ribatejo.

1974 – 25 de Abril. Constituição das Comissões Administrativas democráticas da

autarquia.

1976 – Primeiras eleições democráticas para as Autarquias Locais.

1985 – Elevação a vila através da Lei nº 49/85 de 24 de Setembro.

Os Condes da Castanheira-Figuras que ficaram na história

D. Antônio de Ataíde, 1º conde de Castanheira (1500 ou 1502 — 1563).

Era filho do Senhor das vilas de Póvos e Cheleiros, D. Álvaro de Ataíde e de Violante de Távora, filha o Senhor de Prado. O avô paterno era o conde de Atouguia, e o materno o conde do Prado.

Herdou os senhorios do pai, com a morte dos seus meio-irmãos, filhos de D. Leonor de Melo, filha do conde de Atalaia.

Tornou-se depois senhor do morgado da Foz.

Foi conselheiro de Estado, vedor da Casa Real, alcaide-mor de Colares, comendador de Langroina na ordem de Cristo.

Recebeu a primeira educação no Paço Real da Ribeira, sendo D. João ainda príncipe, com quem então muito convivera, devotava ao Príncipe D. João (futuro D. João III) grande amizade. Tinham quase a mesma idade, e a convivência lhes granjeara mutuamente verdadeira afeição. Quando D. João subiu ao trono em Dezembro de 1521, por morte de seu pai, D. Manuel, o Venturoso, concedeu-lhe o título de conde da Castanheira, e nomeou-o embaixador em Paris para tratar de negócios da maior importância.

Apesar de contar apenas 20 anos, D. António houve-se superiormente no desempenho desse espinhoso cargo. Também representou D João III em Castela e na Alemanha, e em paga destes serviços, o rei D. João o nomeou, por carta de 13 de Maio de 1532, conselheiro de Estado e Vedor da fazenda, lugar que exerceu até 1557, ano em que faleceu o monarca.
Saiu da corte e retirou-se para o convento da Castanheira, onde faleceu a 7 de Outubro de 1563.

Entre 1525 e 1558, Ataíde era de facto o homem que mandava no Brasil simplesmente porque era o homem que mandava no rei.

Foi sua iniciativa colonizar o Brasil e em 1530, partiu de Lisboa a primeira expedição  colonizadora  chefiada  pelo  seu  primo-irmão  Martim  Afonso  de  Sousa.  Em  1534,  a  colônia  foi  dividida  em  capitanias  hereditárias  e  distribuiu  os  lotes  entre  seus  colaboradores  mais  próximos. 

Em  1549,  fracassado  o  regime  das  donatarias,  estabeleceu-se o Governo-Geral.

Além de nomear outro primo-irmão, Tomé de Sousa, para o cargo de governador-Geral, redigiu o "regimento" que tem sido chamado de "primeira Carta Magna do Brasil".


O poder sem fronteiras do conde de Castanheira

Além de virar conde de Castanheira, dom António de Ataíde tornou-se vedor, cargo equivalente ao de ministro da Fazenda, e o principal articulador político do Império. Foi dele a idéia de "investir" no Brasil e desocupar as fortalezas lusas no Marrocos. Foi ele quem escolheu os três primeiros governadores-gerais do Brasil e quem determinou a expulsão dos franceses. Morreu em 1563, não sem antes fazer de seu filho, António de Ataíde, o segundo conde de Castanheira e seu bravo sucessor.

Tiveram sete filhos:

  1. D. António de Ataíde, 2º Conde de Castanheira (1530- 20 de janeiro de 1603). Herdou a casa de seu pai e o título. Casou com D. Maria de Vilhena, filha de D. Francisco da Gama, 4º Conde da Vidigueira e almirante da Índia e, enviuvando, casou com com D. Bárbara de Lara, filha do 3.º Marquês de Vila Real, D. Pedro de Menezes; e ainda terceira vez com D. Maria de Vilhena, filha de D. Luís de Menezes de Vasconcelos, governador do Cível, e de D. Branca de Vilhena.
  2. D. Jorge de Ataíde, Bispo de Viseu.
  3. D. Jerônimo de Ataíde, Comendador de Vila Franca (cerca de 1530-1568)
  4. D. Violante de Ataíde
  5. D. Joana de Ataíde
  6. D. Ana de Ataíde
  7. D. Maria de Ataíde, que casou com D. Vasco da Gama (ca. 1530-4 de agosto de 1578 em Alcácer Quibir), 3o conde da Vidigueira. Senhor da vila da Vidigueira e da de Frades; almirante da Índia, estribeiro-mor de D. João III de Portugal e do pr D. João, na ocasião do seu casamento, do conselho de estado do Rei D. Sebastião de Portugal, a quem acompanhou em ambas as jornadas de África. Era filho de D. Francisco da Gama 2º conde de Vidigueira, e D. Guiomar de Vilhena.


D. António de Ataíde, 2º Conde de Castanheira (1530 - 20 de janeiro de 1603).

Herdou a casa de seu pai e o título. Distingiu-se nas letras. Entre os estudos, a que muito se aplicava, merecia-lhe especial cuidado a genealogia, em que deixou escrito um «Nobiliario das familias d'este reino»; «Livros dos Brazoens das mesmas familias com as suas origens». Ambos ficaram em manuscrito.

Casou com D. Maria de Vilhena, filha de D. Francisco da Gama, 4º Conde da Vidigueira e almirante da Índia e, enviuvando, com D. Bárbara de Lara, filha do 3.º Marquês de Vila Real, D. Pedro de Menezes; e ainda terceira vez com D. Maria de Vilhena, filha de D. Luís de Menezes de Vasconcelos, governador do Cível, e de D. Branca de Vilhena. «

Varão singular em letras e em armas, segundo dizem as crónicas do seu tempo.


D. Manuel de Ataíde, 3º conde da Castanheira

Era filho de D. Álvaro de Ataíde e irmão de D. António de Ataíde 1º conde da Castanheira.

Foi detentor dos senhorios e morgados bem como do título da casa da Castanheira.

Casou-se com D. Maria de Noronha, filha de D. Diogo de Sousa, capitão de Sofala, governador do Algarve, general da Armada, etc., e de sua mulher, D. Catarina de Atouguia, já viúva de D. Nuno Álvares Pereira, filho do 3.º conde da Feira, D. Diogo Pereira. Teve posteridade. Casou-se depois com sua sobrinha D. Guiomar de Vilhena, filha de sua irmã D. Ana de Ataíde e de D. Henrique de Portugal, sem geração.


D. João de Ataíde, 4º conde da Castanheira (morto em 14 de setembro de 1637).

Senhor de todos os senhorios, morgados e título da casa da Castanheira, que herdou de seu pai.

Casou-se com D. Maria de Vilhena. filha de D. Francisco da Gama, 4.º conde da Vidigueira, vice-Rei da India. Casou-se depois com sua tia D. Lourença de Vilhena, filha de D. Luís Fernandes de Vasconcelos, comendador de Valada na Ordem de Cristo, e governador do Brasil. Como não deixou geração, por sua morte herdou a casa da Castanheira, seu tio.


António de Ataíde, 5º conde da Castanheira e 1º conde de Castro Daire, morto em 1647 com mais de 80 anos, foi 3º filho do 2º casamento do 2º conde da Castanheira, igualmente chamado D. António de Ataíde, morto em 1603. Sua mãe D. Maria de Vilhena era filha de D. Luís de Meneses e Vasconcelos e D. Branca de Vilhena.

Na crise da Independência, morto o Cardeal-Rei, diz «Nobreza de Portugal», tomo II, página 521 que tomou o partido do rei espanhol, tomando parte na expedição do marquês de Santa Cruz contra a Ilha Terceira. Serviu sob as ordens de D. Martinho de Ribera, general das galés de Espanha, prestou tantos serviços que foi nomeado sucessivamente capitão de cavalos, fronteiro-mor dos coutos de Alcobaça, general de uma armada da costa, coronel de Infantaria, capitão-mor das naus da Índia, general das armadas de Portugal. Quando em 1621 a nau «Nossa Senhora da Conceição» regressava da Índia, com valioso carregamento, foi incendiada pelos turcos, que iludiram a vigilância de D. António, incumbido de a esperar e comboiar.

Foi por isso acusado, julgado mas absolvido, reconhecendo-se que cumprira seu dever, embora mal sucedido. Filipe III de Portugal, querendo marcar tal circunstância e seu real apreço, nomeou-o gentil-homem de sua Câmara, mordomo-mor da Rainha D. Isabel, conselheiro de Estado do Conselho de Portugal, presidente do Conselho de Aragão. Foi por esta época enviado à Alemanha como embaixador extraordinário.

O título de conde de Castro Daire lhe foi concedido por alvará de 30 de abril de 1625, assinado em Aranjuez por Filipe III. Sucedeu ao sobrinho D. João de Ataíde e veio a ser 5º conde da Castanheira.

Em 1631 foi nomeado governador de Portugal com o conde de Vale de Reis. Mais tarde foi presidente da Mesa da Consciência.

Quando em 1640 houve a revolução, pôs-se ao lado do duque de Bragança.

Casou com D. Maria de Lima, filha e herdeira de D. António de Lima, senhor de Castro Daire, e de Dona Maria de Vilhena. Foram pais de D. Jerónimo de Ataíde, que sucedeu ao pai como 2º conde de Castro Daire e 6º conde da Castanheira.


D. Jerónimo de Ataíde, 2º conde de Castro Daire e 6º conde da Castanheira, morreu em Lisboa em 12 de dezembro de 1669.

Foi filho do 1º conde de Castro Daire D. António de Ataíde e de D. Ana de Lima.

Ficou em Espanha, depois da Restauração, e foi mordomo-mor da Rainha Isabel, mulher do rei Filipe IV de Espanha. Este o fez marquês de Colares, título que já não teve validade em Portugal, e lhe deu a promessa do ducado de Benavente quanto recuperasse Portugal.

Nunca pegou em armas contra Portugal. Exerceu o elevado cargo de aio do Príncipe Baltazar Carlos. Concluída a paz, em 1668, regressou a Portugal onde morreu.

Casou com D. Helena de Castro, filha de D. João de Castro, senhor de Reriz e Benviver, Sul, Penela e Resende, e D. Juliana de Távora. Tiveram geração.

Roteiro Histórico

Eventos em 2014

festas2014.pdf festas2014.pdf
Size : 114.419 Kb
Type : pdf